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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Manias - Kaio Rodrigues

É, pessoal, estou sumido, eu sei. Mas prometo que agora tentarei postar com mais frequência.
Esperem!
E, Ligia Miraglia, sua entrevista vem no post dessa semana.



Dizem por aí que tenho muitas manias.
Talvez seja verdade, e eu realmente as tenha. Talvez eu me negue a confessar; ou talvez as pessoas tenham mania de dizer isso.
Mas não importa, pois não vim falar de minhas manias.
Acontece que vi ontem um casal digno de estórias de poetas.
Mas, como não sei rimar – ou tampouco versificar –, resolvi falar dos dois da melhor e única forma que consigo: Em linhas corridas.
E talvez essa seja realmente a minha maldita mania. Mas quem liga?
Bem... Primeiro falarei sobre o vento daquele local. Era frio e interrogativo. Junto dele, a iluminação dos últimos raios de sol dava lugar à noite, que parecia ansiosa para tomar seu lugar no céu.
Foi assim que Ele surgiu.
Catorze, ou talvez quinze anos. O boné sutilmente torto, e no rosto a expressão de medo que co-habita a ansiedade que precede uma situação nova. Aquela expressão era sua mania.
Do outro lado, Ela surgiu de um lugar que não sei determinar.
Catorze, ou talvez quinze anos. O batom marcando o rosto pálido. Sim, ela também parecia temerosa... Ou melhor: Ansiosa.
E foi assim que se viram. Foi assim que sorriram um sorriso que poetas (os mesmos das rimas e versos) gostariam de contar.
A noite pareceu não ter mais pressa em chegar. O vento se intensificou. Carros passavam velozes, indiferentes ao que viria a seguir.
E se encontraram.
Primeiro houve o toque de mãos. Frias e molhadas. Depois, a aproximação.
E nenhuma maldita palavra para acalmar um ao outro. Apenas mão e sorriso.
Uma mão dele na nuca dela.
Um sorriso dela em direção a ele.
Aquilo parecia um primeiro encontro. E talvez realmente fosse.
Mas será que eles ligavam para isso? Eu estava lá, e digo: Não! Eles não ligavam.

Foi assim que se envolveram num abraço.
Foi assim que os lábios se tocaram, e eles se conheceram pessoalmente.
Eu observava.
E, com ou sem mania, sorri.

De Kaio Rodrigues

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Chuva - Edson Gabriel Garcia



A primeira vez que li este texto, foi numa ocasião de despedida (a mesma despedida que me levou a criar esse texto AQUI). Ele serviu perfeitamente como uma metáfora para a ocasião uma vez que a pessoa que partia, como nesse texto, estava abrindo mão da felicidade para ver outra pessoa segurar o guarda chuva e... bem, é melhor irmos ao texto.
Girlene Neri, foi assim que nos despedimos.




“A primeira meia dúzia de pingos de chuva caiu de manso, apesar do escuro que o céu prometia desabar sobre o pedaço da cidade.
À saída da escola, nos portões abertos para a pequena multidão de alunos alegres com o final das aulas, misturavam-se chuva, gritos, guarda-chuvas, mais gritos, buzinas, olhares, corre-corre.
Dali, de onde eu estava, escondido sob a laje do pavimento de cima, podia vê-la mexendo na mala escolar, à procura de alguma coisa. Um guarda-chuva, certamente.
Quando ela viu que ele a olhava, desviou o verde de seus olhos e continuou, embaraçada, procurando o guarda-chuva. Até encontrá-lo.
Ele foi aproximando dela. Parecia pouco à vontade, mas decidido. Havia tempo ele a paquerava, de longe. Até achava ser correspondido.
Ela, desajeitada, abriu o guarda-chuva e preparou-se para enfrentar a água que agora caía bem mais forte.
- Vou lá perto de sua casa, me dá uma carona no guarda chuva?
O preto dos olhos dele fazendo a pergunta corajosa para os olhos verdes dela, quase vermelhos de vergonha.
- Se você quiser...
-Claro que quero. Não trouxe guarda-chuva, e se entrar nessa me molho todo.
-Então vamos.
O guarda-chuva aberto acolheu os dois. Próximos, emparelhados, roçando roupa com roupa, o coração dando pulos de contentamento.
-Que chuva, né?


-Inda mais sem esperar!
Um passo mal dado, uma poça d'água recém nascida, e os ombros se tocaram num primeiro encontro, quase ingênuo.
-Desculpe.
-Não foi nada!
A chuva aumentou a intensidade. Caía mais forte e escorria, danada e zombeteira, pelas abas do guarda-chuva.
-Você está se molhando.
-Você também.
-Não faz mal. Me dê sua mala, deixe que eu levo. Assim você fica livre para segurar o guarda-chuva.
-Obrigado.
Na passagem da mala, dela para ele, as mãos molhadas se tocaram levemente. O coração acelerou o ritmo e o rosto avermelhou-se.
A chuva ficou mais forte.
-Estamos nos molhando muito, vamos parar?
-Não, chuva é gostoso. Faz bem. É banho diferente. Lava tudo!
-Por minha culpa você está se molhando...
-Que nada, de qualquer jeito, nessa chuva, eu ficaria molhada... O guarda-chuva é pequeno...
-É...
Instintivamente ele passou o material para a mão direita e pôs seu braço esquerdo sobre o ombro dela.
-Se a gente se aperta um pouquinho debaixo do guarda-chuva, se molha menos.
-Acho que sim...
-O braço puxou o corpo dela para junto do corpo dele. O coração bateu mais depressa, o rosto queimava fogo, os corpos molhados vibravam.
-Já estou quase chegando. Minha casa é aquela de muro vermelho...
-Poxa, foi tão rápido...
Ele estreitou ainda mais o braço molhado. Não sentiu resistência. Ela soltava sua emoção, esparramada pelo corpo, para o braço do parceiro.
Apenas o cabo do guarda-chuva separava o desejo dos dois. Que engraçado: apenas um pedaço roliço de madeira limitando a geografia quente dos corpos. Em cima, embaixo, por todos os lados, a chuva forte derramava água farta, festejando o encontro juvenil.
-Posso falar com você outra vez?
-Na escola?
-Também.
Ela tingiu de brilho novo o verde dos olhos e respondeu com voz úmida, porém firme:
-Pode...
-Amanhã?
-Pode...
Eles selaram o acordo com o estreitamento maior das roupas molhadas.
-Faz tempo que eu queria falar com você.
Ela sorriu e deixou escapar:
-Eu também.
A casa de muro vermelho chegou perto deles.
-Cheguei.
-Que pena!
-Você quer ficar com meu guarda-chuva?
-Não, já estou todo molhado.
-Leva...
-Não...
-...
-...
O coração a mil, bateria louca de escola de samba em dia de desfile, o corpo molhado, a boca seca, o rosto pegando fogo. Estavam um em frente ao outro, debaixo da chuva forte.
De onde eu estava, protegido pela chuva, eu vi o guarda-chuva inclinar- se levemente para trás, cobrindo minha visão. Imaginei que esta manobra acidental me impediu de ver um beijo, tamanha foi a pressa com que ela entrou em casa e tamanha a alegria com que ele enfrentou a chuva, atirando para cima alguns cadernos, pulando poças e esticando braços e pernas numa sinfonia encharcada.
Foi mais ou menos assim que eu vi esse primeiro encontro dos dois. Foi mais ou menos assim que ele me contou.
Foi assim, sem dúvida, que perdi minha primeira namorada”.

Edson Gabriel Garcia
Postado por Kaio Rodrigues


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Selinho

Recebi esse lindo selo da linda Kézia Martins, do blog parceiro Fulana Leitora


As regras:
Regra 1. Repassar o selo para 10 pessoas e avisá-las;
Regra 2. Responder às perguntas.

Regra 3. Colocar o link deste blog na postagem

Nome: Kaio Rodrigues

Uma música: O Teatro dos Vampiros – Legião urbana

10 coisas sobre mim:

1. Amo livros de fantasia (Jura, Kaio?)
2. Amo ler no banco de carros, sozinho.
3. Comecei a ler com dez anos (um Harry Potter)
4. Sou Viciado em legião Urbana e nos Beatles
5. sei de cor a trilha sonora de Harry Potter (Mesmo sendo isntrumental).
6. Fico feliz quando comentam meus post
7. Chego a ficar quatro horas dentro de uma livraria, sentado no chão e lendo.
8.  sou apaixonado pela escrita de Raphael Draccon
9. Leio o mesmo capítulo de um livro várias vezes até absorver as últimas informações
10. não durmo sem ler uma tirinha de Mafalda
11. [só porque eu gosto de contrariar]: Coloco nos meus gatos nomes de personagens de livros (meus dois atuais chamam-se Isildur e Tochi)

Humor: Acordo irritado, e às vezes vou para a escola a pé para deixar o estresse pelo caminho. Fora isso, estou rindo na maioria das vezes...  Sou casado com o humor...
(até que algum inoportuno nos separe).

Cores Favoritas: Preto, Amarelo e Azul

Frase ou palavra mais dita por você:  
Tipo – talvez – você que sabe... essas são as palavras.
Mas tem uma frase que repito para mim a toda hora: “Seu destino está em suas mãos. Agarrá-lo e não largá-lo cabe a você, e, se de tudo você deixá-lo cair, a culpa será sua, e não dos outros ao redor...”
(minha mesmo, kkk)

O que achou do selo: é extremamente bom saber que tem pessoas que gostam de mim. Pessoas que se lembram de mim. Estou entrando no meio literário agora, e a confiança dos amigos espero conquistar aos poucos. Com apenas quatro meses de blog já ter amigos me mandando selinhos me faz pensar... poxa, eu cheguei em algum lugar

Blogs indicados:
Fã Clube Marcia Rubim
Santuário dos Vampiros
Lágrima de Fogo
Leonardo Born
Espero que tenham gostado.
Abraço aos leitores

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sonhos




O menino olhava a foto da época em que ainda era criança com um aperto no coração. – Ora, eu comecei chamando-o de menino, mas queria dizer homem. Sim, pois nos seus vinte e “uns” anos ele não podia ser chamado de menino. Existia sim um menino que habitara aquele corpo, mas ele o deixara há muito tempo. O deixara, não. Havia sido expulso a força.

Perguntam-me quem é o menino. Sinceramente, não sei dizer, assim como não sei descrevê-lo fisicamente. Mas posso garantir que em seu interior havia uma junção de sonhos, alguns realizados, muitos ainda não, que o transformavam no que ele era. Sim, pois somos apenas isso: frutos de nossos sonhos.

Mas o sonho que aquele menino-homem olhava na fotografia era um sonho de criança; um sonho sem dono, fruto da imaginação. Um sonho que se fora há muito tempo, juntamente com a parte de menino. Um sonho que não voltaria mais.

Largando a fotografia, ele reverberou. Agora não sobre os sonhos antigos, os de menino, mas sobre os sonhos do futuro. Eram naqueles momentos que ele se via da forma que ele mais queria. A melhor forma possível!? A forma de homem. Eram nesses momentos que ele via simplesmente a beleza da vida, e que percebia que o menino não existia mais, a não ser em sonhos – e cá estamos nós de novo falando de sonhos.

Voltando mais uma vez ao passado, ele se lembrava dos bonecos que havia trocado pelos livros – muitos deles. – Lembrava dos amigos que deixara para trás... Muitos pelo tempo, alguns por capricho, outros por Sonhos.

Agora peço a você que ponha a mão na testa e tente se lembrar: quantos amigos já perdeu por sonhos? Quantas vezes você abriu mão deles para ficar até mais tarde estudando – ou não – para passar para a universidade... e mais ainda: Quantos sonhos já perdeu por seus amigos?

Ah, a crueldade da vida; que nos faz escolher entre coisas tão importantes. Entre o sono ou a alegria, entre a praia ou a neve... Entre o sonho e o amigo.

Erga, amigo – acho que já posso chamá-lo assim –, as mãos para o céu se você nunca precisou fazer uma escolha desta, pois bendito é o homem que tem tudo o que quer, e sabe reconhecer esse Tudo, para não se perder no vazio do nada.

Mas acima de tudo lembre-se: um de meus amigos sempre diz que “Não vale a pena viver nos sonhos e se esquecer de viver”!

Homenagem não Póstuma a uma amiga de sobrenome esquisito, que todos os dias é obrigada a escolher entre amigos e sonhos. Que seus sonhos se realizem, pois amigos não lhe faltam.



Texto de: Kaio Rodrigues


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