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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sorteio escritor nacional



Sorteio do Livro :“Adolescente, alguém te entende” – Renata Martins



O objetivo da promoção entre os três blogs é divulgar um autor nacional, e ajudá-lo a tornar público e reconhecido o seu trabalho.
A qualidade do livro também é avaliada antes da promoção. Lembramos que a preocupação não é com o tamanho do livro, mas sim com a sua qualidade.
Regras:
O sorteio começa 15 de setembro e vai até 22 do mesmo mês. Via Sortei-me
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E boa Sorte!
Qualquer dúvida deixe-nos um recadinho. 
Beijos

terça-feira, 17 de julho de 2012

Paredes de concreto


Os brancos chamavam aquela região de Coqueirais. Já os negros, a chamavam de Campos de punição, ou simplesmente zona de Terror.
O que importa era que, negros ou brancos, todos sabiam que naquelas fazendas na beira-rio, repleta de coqueiros, que davam nome ao local, pessoas sofriam, enquanto outras enriqueciam.
Se fosse lá há cento e vinte anos, veria negros peneirando café, regando árvores e plantando mais grãos. Veria crianças desde cedo começando a sofrer, e veria mulheres engravidando de senhores, a quem não podiam negar momentos de deleite conquistados com ameaça.
Veria hora ou outra crianças brancas partindo com malas lotadas para enfrentar difíceis jornadas para chegarem à Europa para estudar. Pois eram estas crianças brancas.
Mas eis que um dia algo aconteceu. Talvez um dia eu conte toda a história, mas o que nos importa neste momento é que um jovem de doze anos não viajou no dia previsto, e voltou para a fazenda do pai.
Foi na época em que o café sustentava o Brasil, e Zumbi fundava quilombos. O menino nasceu com o nome de Luís Bezerra Neto. A pele alva só tinha uma imperfeição, um corte no canto do olho, que lhe rendia alguns apelidos entre os seus.
Já ela nasceu na senzala, entre paredes de concreto, tristeza e sofrimento. Seu nome era Maria Lurdes, e apenas isso. Vestia roupas surradas, que haviam sido de outras três crianças, antes de chegar a ela. De pés descalços ela se divertia em horas vagas, que quase nunca vagavam.
Quando voltou, triste por ter de alterar o dia de seu embarque, Luís foi se queixar com seus amigos. Dois pajens tentavam acompanhá-lo, mas apenas tentavam, pois era rebelde, e fugiu deles, e acabou se perdendo.
Ela também corria. O feitor em seu encalço. E se chocaram em meio à distração. E bendito seja o deus que abençoou aquele momento, e a pessoa que o eternizou nestas linhas.
- O que... Quem é você? – ele perguntou assustado. O pai sempre o alertara a se manter bem distante de gente daquele tipo.
- Chamo-me Maria de Lurdes! – disse ela decidida.  – Você deve ser o Branquinho que vive na casa. Pois saiba que não gosto de gente como você, e do jeito que tratam gente como eu.
Ele ficou vermelho de raiva.
- Meu pai vai chicotear o seu. Vão arrancar sua língua por isso. – disse ele, mas já naquele momento, na parte mais árida de seu coração, um milagre acontecia, e algo dava frutos.
A discussão que se seguiu só os juntou mais. Ambos puderam desabafar seus traumas um com o outro, e notaram algo em comum: ambos sofriam, mas por motivos diversos.
E a paixão uniu os dois seres nos anos que se seguiram, e eles enfrentaram desafios para se manterem juntos. Ele matou ao pai. Ela perdeu o seu como castigo pela afronta aos brancos.
Antes dos 20 anos eles fugiram, e nunca mais foram vistos em pessoa na Região de Coqueirais.
Os mais falantes, porém, ainda hoje dizem que um casal maltrapilho volta e meia aparecia na Zona do terror, e conversava com antigos escravos, e faziam belíssimos discursos no meio da noite, trazendo alegria e conforto aos pobres. Mas o que mais intriga era que esse misterioso casal desaparecia na manhã seguinte deixando em paredes de casas a seguinte mensagem: “Não existe cor, nem raça, mas existe um deus, e este é incolor”.
Texto de: Kaio Rodrigues

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas.



Ganhei mês passado de presente a trilogia completa desta nova e brilhante série de um autor brasileiro que merece um bom reconhecimento por tamanha obra. Caçadores de Bruxas reúne fantasia, rock e sentimentos a cada nova página, e, cá entre nós, quer algo melhor que isso tudo junto?
Demorei um pouco a entrar neste novo mundo, onde existiam bruxas más, personagens de contos de fadas e seres fantásticos (e fodásticos), mas ergui minha cabeça e comecei de uma vez.
Ainda no prefácio, percebi que ele criou um mundo paralelo, onde as pessoas não acreditam nem cultuam deuses, pois esses se afastaram há muito tempo das pessoas. Nesse mundo, eles preferiram seguir os semi-deuses, pois esse sim estavam ali e podiam realmente ajudar, bastava chamar, não eram sonhos. Os filhos dos deuses podiam ser tocados e podiam ajudar diretamente um “etheriano”. Aqui vale uma boa pausa para reflexão.
A história é contada a maneira dos bardos, imagine-se em volta a uma grande fogueira, vários amigos, e ali, como centro das atenções o contador de histórias, que conversa com você, que abre paralelos, explica-se, deixa assuntos para depois… enfim, no início, achei um pouco cansativo, eram muitas informações, e não estou exagerando não! Precisei de várias pausas para tomar fôlego e assimilar coisas. A parte boa, é que essa sensação vai embora, e depois você não consegue mais desgrudar do livro para sabe logo o desfecho.
Óbvio que comecei a adorar quando começa a explicação de que existem bruxas boas (Aliás: bruxa é substantivo e não adjetivo!). Nesse momento notei algumas divergências com relação aos rituais e luas correspondentes, mas não sei dizer se seriam erratas, já que como estamos em outro mundo, com apenas 5 dias da semana. Vai saber se nova Ether não é o tipo de planeta que possui 2, 3, 4 luas…. Viajei, desculpa.
“Ambas já haviam explicado à menina o que ela deveria fazer e estavam ali apenas após pedir a permissão da Criadora para isso. A vassoura já havia sido usada para limpar as energias negativas do local. Um pouco de sal foi salpicado no círculo pela menina. Ela já havia entendido que ele simbolizava o elemento terra.”
Esse outro trecho parece um tapa na cara (ou pelo menos deveria!)
“Quantos inocentes também não pagaram pela guerra que fora sua Caçada de Bruxas. E se as mães imploraram e juraram inocência fossem realmente inocentes? E… pelos semideuses… as crianças… semideuses, as crianças… que o Criador o perdoasse se tudo fosse uma falha sua. E quantos crimes não averiguados, e quantos soldados indignos da farda, e quanto abuso de poder nos guerreiros envolvidos?”
Esse é o tipo de livro que possui várias entrelinhas no meio, e fica a critério do leitor enxergá-las ou não. São questões dos dia-a-dia que acabam sendo levantadas e às vezes debatidas na história, mas que cabem perfeitamente e nosso mundo, e nossa “realidade”… Vale à pena a leitura, vale a cada pausa para reflexão.
Pense assim, tomando cuidado para não entregar a história. Lembra-se das perguntas que sempre quis fazer a respeito de um ou outro conto de fadas, mas nunca teve coragem, ou, se as fez, nunca obteve uma resposta plausível?? Então, creio que Dragões de Éter é maravilhoso para dar asas a sua imaginação!!! Eu por exemplo, nunca me conformei em tirarem a vovozinha viva e inteira de dentro de um lobo faminto.
Minha nota é 9 (1-10) :D
Por: Kaio Rodrigues

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