terça-feira, 11 de setembro de 2012

Na verdade não há...


O texto foi escrito para ser lido na despedida de uma pessoa muito especial em minha vida. NÃO, ela não morreu, mas de certa forma vai deixar saudades... não vou explicar a história completa... nem daria. O importante é que a pessoa se reconheça aqui.


Dizem: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”
E nós dizemos: “Vai. Clareia um pouco a cabeça. E quando você voltar, tranque o portão, feche a janela, apague as luzes, e...”... Saiba que te amamos.
Vestido.
A roupa mais usada pelas mulheres que querem parecer mais bonitas.
Talvez dê certo. Talvez as mulheres realmente pareçam mais belas, mais sérias.
Mas não importa.
A questão a ser observada, é que em sua primeira vez Ela entrou de vestido. Estranho para todos, que estavam acostumados a ver as pessoas de calça, blusa e roupas ditas “normais”.

Quando ela entrou naquele outro dia, porém, dizendo a frase que não tinha nada de épica, estava diferente. Não por causa da roupa. Ia muito além do físico. Tocava o espírito de cada um.
E sua presença foi capaz de realizar o grande feito. De novo.
Pois mais uma vez todos Gritavam Seu Nome.
O híbrido já não mais existia. Das outras vezes, alguns poucos faziam silêncio para ouvi-la. Todos os outros gritavam e conversavam, apenas por diversão.
Naquele dia, porém, todos se calaram.

Aquele maldito dia parecia ser uma despedida.
Chorar? Todos já choravam desde que o espírito lhes fora tocado.
É bastante incrível a capacidade humana de chorar, esquecer os erros passados, e rir – não exatamente nesta ordem.
Velhos filósofos e poetas dizem que “nascemos sozinhos e morremos sozinhos”, mas se esquecem de falar do caminho transcorrido entre a vida e a morte; entre o início e o fim.
Precisamos de pessoas para nos acompanhar entre a gênese e a hora derradeira. Pessoas que estarão para sempre conosco.
Pessoas como aquelas.

Por mais que seus corpos insistissem que não ficariam juntos por muito mais tempo, a Alma Tocada lutava para dizer o contrário.
Como quando a Morte briga com a Vida.
Como quando o Início briga com o Fim.
Fim. O maior medo do homem (se não considerarmos o medo de ter medo, é claro). O destino para o qual caminhamos diariamente, mesmo que não queiramos.
O destino no qual chegamos agora, e não podemos fazer nada para mudar.
O Ápice. Momento em que os bardos, velhos contadores de histórias, têm orgulho de narrar, pois, simplesmente, é o ponto em que o fantástico se encontra com o concreto, e o irreal toma forma.
Foi assim com as Almas Tocadas.
Dizem que o fim é o momento em que nos preparamos para partir. Ninguém realmente sabe como acontecerá o Grande Fim (os que sabem não voltam para contar).
Mas aquele fim, que não era o Maior, nem o Último, todos sabiam como chegaria.
Pois aquele era um momento de mudar de pele. É o momento em que Espíritos e Almas tocadas se metamorfoseiam. E, por mais que todos já estivessem vestidos, aquele era o momento trocar de roupas.
E naquele dia ela foi de calças.

Aquele maldito dia era, sim, um dia de despedida

17 comentários:

Lilian Reis - Escritora disse...

Simplemente amei! Lindo! Parabéns amigo Kaio. Beijos companheiro de Editora. Beijos e sucesso, você merece!Lilian Reis.

Dia de Leitor disse...

Obrigado, querida. Você sempre chegando aqui primeiro, não é? sei que posso contar com você sempre. pode contar comigo também.
Beijos,
Kaio

♥ Mila Wander ♥ disse...

Perfeito!! Gostei muito, meus parabéns! A profundidade das suas palavras é marcante!
Abração!

Dia de Leitor disse...

Obrigado pela visita, Mila.
Beijos, kaio

Elisandra disse...

Uau, sem palavras. Que texto...\o/....Parabéns pela expressão nas palavras e a maneira como elas nos contagiam.

Beijokas Elis!!!
http://amagiareal.blogspot.com/

Dia de Leitor disse...

Obrigado Elis. é muito bom recebê-la em meu Dia de Leitor.
Beijos,
kaio

Léo Nascimento disse...

Cara, fciou show! Tocou minha alma! Parabéns amigo!!!

Dia de Leitor disse...

Obrigado, Léo. Seu simples comentário que tocou a minha alma.
Abraços
Kaio

Marcia Rubim disse...

Tocante!!!
A hora da despedida, seja ela qual for, sempre nos deixa marcas. Eu sempre digo que a vida é meio como um enorme quebra-cabeças. Já reparou que depois de algum tempo sempre perdemos algumas peças? E não adianta tentar encaixar outras, podemos acrescentar qualquer coisa ao redor,mas aquelas que perdemos jamais encontraremos igual. É como todo ser humano, em todo o sua contraditória imperfeição: somos únicos, quer queira ou não!
Parabéns!
Bjs

Dia de Leitor disse...

AI, Marcia... que lindo. Tocante demais. Obrigado pela sua visita. Muito obrigado pelo apoio que dá ao blog.
Te adoro
Kaio

Mundo Literário disse...

Adorei Kaio.
A despedida seja em qualquer situação que nos encontremos, ela vem vestida de formas; poderia ser de alívio, de perda,,, não importa, ela sempre vem acompanhada do silêncio, já reparou?
Você me fez lembrar da música do Raul Seixas " Canto para minha Morte" conhece?
Parabéns pelo texto na verdade despedir-se de algo ou alguém exige elegância. Bjs

Dia de Leitor disse...

Obrigado, querida. Nossa, os elogios vão me fazer acreditar que meus textos são bons...
obrigado mesmo pela visita.
beijos

Márcia Abreu disse...

Amei Kaio, você escreve muito bem querido! Parabéns e muito sucessoooooooooooo!

Dia de Leitor disse...

Obrigado, querida. Obrigado pela visita e por estar sempre comigo.
Estou louco para conhecê-la pessoalmente
Beijos, Kaio

Kezia Martins disse...

Adorei Kaio.
Você sempre me surpreendendo com suas palavras.
Muito tocante.
Beijinhos,
fulanaleitora.blogspot.com.br

Alana Homrich disse...

Kaio, adorei o texto. Muito surpreendente, sucesso.
Beijos.
http://alanahomrich.blogspot.com.br/

Elisandra disse...

Oi Kaio,

Despedidas nunca são fáceis, ainda mais quando gostamos da presença da pessoa, gostei da sua maneira de se expressar. E suas palavras foram sábias.

Beijokas Elis
http://amagiareal.blogspot.com.br/

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