quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A vaca Valent

Esta história surgiu como uma forma de mostrar que animais são sim seres vivos, e devem ser tratados como tal. A vaca Valent é apenas uma dos muitos animais que morrem de formas atrozes neste nosso mundo, para satisfazer a fome de humanos. Abaixo do texto, um vídeo. O vídeo que me fez escrever esta história.
O vídeo que me fez mudar.




Valent caminhava lentamente no meio do local sujo, cheio de excrementos que há muito ali estavam.

Mesmo sendo chicoteada e cortada, ela caminhava mansamente. Não tinha, porém a perspectiva de fugir. Sabia que tudo estava prestes a acabar, e que a dor não duraria muito.

E Valent passou pelo portão de ferro, que era, para seres de sua raça, o limite entre a morte e a vida. E Valent olhou para trás pela última vez em sua existência.

Pois ela iria morrer.



Entenda: quando se é uma vaca de abate, sua perspectiva de vida só não é menor que o salário mínimo. E Valent sabia disso. Durante toda a sua vida recebia ordens dos seus donos. Apanhava deles, e comia uma ração de laboratório, feita para engordar, mas não para saciar a fome. Era a vida naquele lugar, no meio de sangue, fezes, urinas e até mesmo de corpos de amigos que não resistiram à dura vida.

Não pense você que a carne saborosa que lhe serviu de almoço nasceu numa árvore, não. Valent era a prova viva daquilo. Com três meses foi levada para um grande galpão, de onde não saiu por muito tempo. Com um ano, estava já no início de sua fase adulta. Pouco antes de fazer dois, teve seu filho, que teria o mesmo destino que ela daqui a alguns meses...; mas com dois anos, Valent sabia que sua hora estava chegando. Bocas famintas esperavam pela sua deliciosa carne vermelha. Vermelha de sangue.

E a tortura então havia começado. Valent não rezou, pois de nada adiantaria, pois, afinal de contas, Deus era homem. Mas a vaca chorava, pois mesmo animais têm sentimentos. Sim, eles têm.

Primeiro foi um choque, que de nada acabou com seu sofrimento. Em seguida foi uma paulada na cabeça, que só a deixou com raiva. Depois se seguiram socos, chutes, e só então a prenderam com um gancho, que foi enfiado com tudo em sua pata traseira, e que a elevou. Uma altura suficiente para que seu’ carrasco nem sequer precisasse se abaixar para fazer o serviço.

E ele veio. Em suas mãos uma faca, que foi enfiada seca e dolorosamente no pescoço da vaca, que por alguns longos minutos se debateu.

E o sangue jorrou de sua carne. E a carne foi cortada. E os pedaços vendidos.

Mas não se engane se acha que Valent foi a primeira. Tampouco será a última.

Saiba que nesses cinco minutos que lia este texto, uma vaca foi abatida. E três churrasqueiras foram acesas.

Enquanto isso, bem distante da casa onde uma família se delicia com uma picanha, vacas esperam pelo abate, e muitas são abatidas.

Texto de Kaio Rodrigues


1 comentários:

Mundo Literário disse...

Achei chocante o vídeo! A crônica muito bem feita e um leve humor negro!
Nada contra os vegetarianos , sou carnívora, os maus tratos são realmentes horríveis em qualquer espécie, mas não me apetece deixar de comer uma boa picanha rs
Muito boa a matéria! Parabéns!!!

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